Home office ainda é realidade para 103 mil profissionais no Espírito Santo
O trabalho em home office continua ativo para cerca de 103 mil profissionais no Espírito Santo, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A modalidade, que teve crescimento acelerado durante a pandemia, ainda é adotada por parte dos empresários que enxergam na distância uma forma viável de manter seus negócios.
Julia Cardoso, empreendedora de 25 anos, administra um negócio que opera exclusivamente no modelo home office. Sua equipe é composta por duas pessoas do Espírito Santo e duas do Rio de Janeiro. Para ela, a ideia de ter um escritório físico é um plano para o futuro, mas atualmente inviável. “Receber pessoas no escritório deve ser o máximo. Só que ainda não temos muito público de clientes capixabas. Com isso, ficaria um escritório ‘fantasma’. Hoje, é algo que não faz sentido para nós”, afirma.
Empresas reconsideram o trabalho remoto
Embora o home office tenha sido uma solução importante durante a pandemia, algumas empresas começam a reduzir as vagas remotas, priorizando o retorno ao trabalho presencial. A especialista em Recursos Humanos Eliana Machado observa que a prática trouxe dificuldades que vão além do faturamento, afetando a dinâmica interna das organizações.
Segundo José Carlos Bergamin, vice-presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), houve uma “onda” de vagas para trabalho remoto que não se consolidou após o período pandêmico. Ele destaca que as empresas perceberam prejuízos relacionados à falta de interação orgânica entre os colaboradores, o que impacta a troca de ideias e a cultura institucional.
Julia também ressalta que o home office exige disciplina e determinação. “Vagas home office são para pessoas muito disciplinadas, determinadas. São para pessoas específicas. Às vezes, elas veem uma vaga e o olho brilha pensando que vai ficar em casa o dia inteiro, só que não é para todo mundo”, comenta.
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Modelo híbrido desponta como solução equilibrada
O trabalho híbrido tem se firmado como uma tendência no mercado capixaba. Ele busca conciliar as necessidades da empresa e a flexibilidade desejada pelos colaboradores. Eliana Machado destaca que esse formato tem apresentado bons resultados, especialmente levando em conta a logística de deslocamento, que ainda é um desafio.
Elias Gomes, também especialista em Recursos Humanos, concorda que o meio-termo tende a prevalecer nas ofertas de emprego no Espírito Santo. “O híbrido tende a equilibrar a necessidade de colaboração das empresas com a flexibilidade que os profissionais buscam, e é o modelo que temos visto prevalecer nas vagas do Estado nos últimos meses”, afirma.
O fenômeno do home office deixou marcas que vão além da forma de trabalho, influenciando a organização das empresas e a percepção dos trabalhadores. No setor administrativo, por exemplo, há uma tendência crescente de flexibilização da jornada, com foco no cumprimento de metas e resultados, sem controle rígido de horários, explica Bergamin.
Pesquisa do IBGE mostra mudanças no trabalho remoto
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, divulgada pelo IBGE, o trabalho em casa recuou desde o auge pós-pandemia, mas ainda está acima dos níveis anteriores à crise sanitária. Em 2022, 8,4% dos trabalhadores atuavam em home office; em 2025, esse percentual caiu para 7,9%.
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Fonte: belzontenews.com.br
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O retorno total ao escritório não é a tendência predominante. O modelo híbrido, que oferece flexibilidade de jornada, tem conquistado espaço. Para áreas mais analíticas, como Tecnologia da Informação (TI), Engenharia, Marketing e Comunicação, o home office 100% remoto ainda é uma realidade importante, embora raramente o único fator decisivo na contratação.
Fim da preferência pelo trabalho autônomo
Outra mudança perceptível no Espírito Santo é a redução do trabalho sem vínculo formal, especialmente em atividades operacionais. A “onda” de microempreendedores individuais tem diminuído nos últimos anos, refletindo maior percepção dos riscos dessa modalidade.
Para Bergamin, a falta de direitos como férias, 13º salário e garantias em caso de doença tem levado muitos a preferir o trabalho com carteira assinada. O retorno ao emprego formal também se relaciona com a dificuldade de reinserção no mercado e a limitação das oportunidades de progressão de carreira em modelos totalmente remotos.
Informação (TI) é um dos setores em que o trabalho remoto mantém relevância, mas o equilíbrio entre presencialidade e flexibilidade deve guiar a nova organização do mercado de trabalho no Espírito Santo.
