Vitórias eleitorais apesar das investigações do Banco Master
A crise envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não impediu que a maioria dos políticos relacionados nas investigações conquistassem ou renovassem seus mandatos nas últimas eleições. Entre os parlamentares que mantiveram ou obtiveram cargos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda (RJ), e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Na Bahia, Wagner foi reeleito para o Senado com 27,65% dos votos. Ele foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga supostas vantagens recebidas pelo senador relacionadas ao banco. Entre as suspeitas estão a aquisição de um apartamento em Salvador e transferências financeiras para uma empresa vinculada à família do parlamentar. Wagner nega qualquer irregularidade.
Conquistas e denúncias na Câmara dos Deputados
Na Câmara, Hugo Motta foi reeleito com 124.284 votos. Mensagens obtidas no celular de Vorcaro indicam conversas entre o deputado e o ex-banqueiro sobre encontros, negócios e a liberação de um empréstimo de pelo menos 22 milhões de reais para uma empresa da cunhada de Motta. O parlamentar confirmou encontros com Vorcaro e viagens em seu jatinho, mas negou irregularidades.
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Já Nikolas Ferreira teve o maior número de votos da história para um deputado federal em Minas Gerais. Ele aparece em registros sobre o uso de aeronaves de Vorcaro e em conversas nas quais solicitou auxílio para destravar questões relacionadas a ativos de mineração. Nikolas confirmou o contato com o ex-banqueiro, mas negou qualquer ato ilícito ou repasse financeiro.
Antonio Rueda, presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, também conquistou uma vaga na Câmara. Escritórios vinculados a ele receberam pagamentos do Banco Master. Rueda admitiu ter prestado serviços jurídicos ao banco, afirmando que se tratava de atividade profissional legítima e dentro das normas da advocacia.
Derrotas e impactos nas eleições estaduais
No campo das derrotas, o caso teve desdobramentos relevantes. Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de buscas da Polícia Federal e citado como um dos “grandes amigos de vida” de Vorcaro, não conseguiu se reeleger ao Senado pelo Piauí, obtendo 24,68% dos votos. A investigação também mostrou registros de viagens custeadas por Vorcaro e relacionou Ciro à chamada “emenda Master”, que propunha ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de 250 mil para 1 milhão de reais, proposta que não avançou no Congresso. O parlamentar nega irregularidades.
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Na Bahia, ACM Neto (União) perdeu a eleição para o governo para o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno. Uma empresa ligada a ACM Neto recebeu 3,6 milhões de reais do Banco Master, mas ele afirmou que não houve irregularidade nos contratos.
Reeleição expressiva no Distrito Federal após compra do Banco Master
O destaque entre os políticos diretamente ligados à operação envolvendo o Banco Master ocorreu no Distrito Federal. Dos 15 deputados distritais que aprovaram a aquisição do banco pelo BRB, 11 foram reeleitos para a Câmara Legislativa local. Entre eles estão Eduardo Pedrosa (União), Hermeto (MDB), Jaqueline Silva (MDB), João Cardoso (PL), Martins Machado (Republicanos), Pastor Daniel de Castro (Progressistas), Pepa (Progressistas), Robério Negreiros (Podemos), Rogério Morro da Cruz (PSD), Roosevelt (PL) e Wellington Luiz (MDB).
