Bares apostam em crescimento expressivo com jogos da seleção
O primeiro jogo do Brasil no mata-mata da Copa do Mundo será nesta segunda-feira (29), às 14h, contra o Japão. A vitória garante vaga nas oitavas de final, enquanto a derrota significa eliminação. Para os donos de bares, a classificação da seleção representa não apenas motivo de festa, mas também um aumento significativo no faturamento.
Juarez Alves, fundador do Bar do Juarez, que possui seis unidades em São Paulo, ressalta que uma eventual chegada do Brasil à final traria um impacto muito positivo para o setor. “É bom não só pelos negócios, mas também porque a gente torce pela seleção”, afirma.
Na estreia da seleção, disputada em um sábado, o movimento nos bares de Juarez não apresentou grandes mudanças. Porém, os dois jogos seguintes na fase de grupos, realizados durante a semana, superaram as expectativas, com aumento expressivo nas vendas. “No jogo de quarta-feira contra a Escócia, o faturamento ficou 50% acima do normal”, conta o empresário. “Todas as nossas unidades ficaram lotadas.”
Dia útil potencializa receita e público nos estabelecimentos
A Copa do Mundo envolve 104 partidas, mas são os jogos do Brasil, que podem chegar a oito confrontos caso avancem até a final, que realmente movimentam o setor. Marco Antonio Moreschi Rossi, proprietário do noPorto Gastrobar, na zona sul de São Paulo, confirma que os jogos de outras seleções têm pouca influência no fluxo de clientes. “A única exceção foi o jogo entre Colômbia e Portugal, quando um grupo de 15 colombianos reservou espaço para assistir à partida”, relata.
Assim como no Bar do Juarez, a estreia da seleção teve baixa adesão no noPorto, mas as partidas seguintes elevaram o público e o faturamento. “Na sexta-feira, o faturamento aumentou 80% em relação a um dia comum, e na quarta-feira contra a Escócia, a alta chegou a 90%”, detalha Marco Antonio.
Para ele, quanto mais longe a seleção avançar, maior o impacto no faturamento, independentemente dos resultados dos outros jogos. A estimativa é que, se o Brasil chegar à final, o aumento extra na receita pode atingir R$ 80 mil no mês da Copa. Isso corresponde a cerca de 60% do faturamento mensal do estabelecimento, que costuma variar entre R$ 140 mil e R$ 160 mil.
Expectativa de crescimento médio é entre 10% e 20% para bares
Apesar do otimismo, o cenário varia conforme o estabelecimento. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) antes da Copa indicava que a maioria dos bares esperava um aumento de até 20% no faturamento durante o Mundial.
Juarez Alves acredita que, apesar dos picos nos dias de jogos do Brasil, a receita mensal deve crescer entre 10% e 20% em comparação a um mês comum. Ele explica que há um efeito de “ressaca” após os jogos, quando o movimento diminui nos dias seguintes.
Além disso, Juarez destaca que outros eventos, como feiras e congressos, tendem a atrair público de forma mais constante para seus bares. “São cinco dias seguidos com público de fora da cidade, o que é ótimo para o fluxo”, comenta.
No noPorto Gastrobar, a Copa também tem sido uma oportunidade para fortalecer o negócio. Marco Antonio destaca que o evento atrai clientes antigos e visitantes de outros bairros, ampliando o alcance do estabelecimento. “É uma chance para as pessoas conhecerem nosso projeto e modelo de negócio”, diz.
Comportamento do consumidor e investimentos para manter público
Antes da estreia do Brasil, o g1 mostrou que as vendas no comércio popular de São Paulo aumentaram após o anúncio da convocação de Neymar para a Copa. Marco Antonio confirma que o bar também sentiu esse efeito: “Até o anúncio, nada se movimentou. Depois, muita gente demonstrou interesse em assistir aos jogos conosco. Foi o estopim.”
Para atrair e manter o público, os bares investiram em telões, drinks temáticos e atrações como DJs e música ao vivo. No noPorto, o retorno foi misto: apesar do público chegar pouco antes dos jogos e sair imediatamente após, o ticket médio foi elevado, garantindo bons resultados.
Setor vê na Copa uma oportunidade para recuperação financeira
Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, destaca que a Copa do Mundo representa uma chance importante para o setor de bares e restaurantes, especialmente em um momento de recuperação financeira para muitos estabelecimentos. “Eventos de grande mobilização ajudam a fortalecer o caixa, aumentam o fluxo de clientes e melhoram o desempenho de um setor que enfrenta desafios de margem e endividamento”, ressalta.
Assim, a Copa do Mundo se confirma como um momento estratégico para bares e restaurantes, que podem aproveitar a mobilização para alavancar vendas, consolidar clientela e equilibrar as contas em meio a um cenário econômico desafiador.
