Grupo Meridional almeja recuperação financeira
A Kora Saúde, responsável pela administração dos hospitais da rede Meridional, conseguiu a aprovação para sua recuperação extrajudicial pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão, que abrange não apenas a holding, mas também suas subsidiárias, foi divulgada na última segunda-feira (4) em um comunicado oficial.
Essa medida surge em meio à intensa pressão gerada por uma dívida que gira em torno de R$ 2,2 bilhões, o que representa cerca de 90% do total de passivos do grupo. A gestão da Kora, diante das taxas de juros elevadas, que alcançam 14,5% ao ano, viu-se forçada a considerar seu cenário financeiro insustentável. O principal objetivo da ação judicial é proporcionar um respiro para a empresa, buscando a redução das taxas de juros e a extensão dos prazos de pagamento junto aos credores.
Desafios no mercado de saúde
Apesar de apresentar uma margem Ebitda de 21%, um dos melhores desempenhos do setor de saúde no Brasil, a Kora enfrenta um sério problema de liquidez. Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a receita do grupo alcançou R$ 2,3 bilhões, mas essa quantia não foi suficiente para conter o aumento das despesas financeiras. Recentemente, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da Kora, mantendo uma perspectiva negativa. Para a agência, a movimentação da empresa é classificada como uma reestruturação sob pressão, conhecida como ‘distressed exchange’, adotada para evitar um possível descumprimento total de pagamentos.
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Negociações em andamento
Antes de tomar a decisão de seguir pelo caminho judicial, a Kora tentou explorar alternativas de negociação. No final de março, a empresa conseguiu a aprovação dos detentores de debêntures para um acordo de stand still – um adiamento das cobranças por um período de 30 dias. Entre as estratégias discutidas nas negociações está a conversão de uma parte da dívida em ações, o que transformaria credores atuais em sócios da empresa.
A escolha pela recuperação extrajudicial é percebida no meio jurídico como uma alternativa mais célere e menos burocrática em comparação com a recuperação judicial completa, permitindo que as renegociações sejam feitas diretamente com os credores. Recentemente, outros grandes grupos, como GPA e Raízen, também optaram por modelos semelhantes em momentos de reestruturação.
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Um olhar sobre a trajetória da Kora Saúde
A rede Meridional, que deu início às suas atividades em 2001 em Cariacica, passou por uma significativa transformação em 2018, após sua aquisição pelo fundo H.I.G. Capital. Desde então, a operação se expandiu e consolidou sob a marca Kora Saúde, mantendo sua sede em Vitória. Hoje, o conglomerado opera 17 unidades e mais de 2 mil leitos em diversos Estados do Brasil, evidenciando a importância de uma reestruturação eficaz para a continuidade de suas operações e a manutenção da qualidade dos serviços prestados à população.
