Ação do Gaeco Resulta em Prisões de Advogados e Guardas Municipais
Em uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), oito pessoas, incluindo três advogados e três guardas municipais, foram detidas por suspeitas de envolvimento em atividades de tráfico de drogas. As prisões ocorreram entre a quarta-feira, 25, e a manhã da quinta-feira, 26, em Vila Velha, no âmbito da terceira fase da Operação Telic.
Os mandados de prisão temporária foram cumpridos em concomitância com nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra, todos situados na Região Metropolitana do Espírito Santo. Durante a operação, as autoridades apreenderam celulares e diversos bilhetes que aparentemente foram redigidos por advogados com informações de detentos.
A investigação, que se intensificou nas últimas semanas, visa identificar a atuação de membros da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) na região de Grande Terra Vermelha, um local marcado por uma crescente violência e disputas territoriais entre facções criminosas. De acordo com registros de segurança pública, a área tem sido palco de diversos ataques a tiros e homicídios nos meses recentes.
Vínculos Entre Advogados e o Tráfico
Entre os presos, destaca-se o agente municipal Iuri Silva e sua esposa, a advogada Bárbara Bastos. Esta dupla já havia sido alvo de uma operação anterior, com um mandado de busca e apreensão sendo executado em agosto do ano passado, durante a primeira fase da Operação Telic. Até o momento, a defesa dos acusados não foi localizada para comentar o caso.
A operação, que já está em seu terceiro desdobramento, revela um comprometedor elo entre advogados e servidores públicos com a facção criminosa. Informações do MPES indicam que os advogados repassam ordens de dentro das unidades prisionais por meio de bilhetes, popularmente conhecidos como ‘catuques’. Esses bilhetes são entregues a integrantes da facção que estão em liberdade e que, segundo as investigações, cumprem as determinações recebidas.
Papel dos Guardas Municipais no Esquema
Adicionalmente, a investigação revelou que os guardas municipais estariam, supostamente, envolvidos em atividades ilícitas, como a venda de drogas apreendidas pela polícia e o desvio de recursos e materiais sob sua responsabilidade. Essa prática pode configurar uma séria violação das funções públicas e a cooperação em atividades criminosas.
A terceira fase da Operação Telic contou com a colaboração do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, além do apoio da Polícia Militar do Espírito Santo e da Secretaria de Justiça (Sejus). As ações foram monitoradas por representantes da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ES) e da Corregedoria da Guarda Municipal de Vila Velha, conforme decisão da 7ª Vara Criminal de Vila Velha.
Acompanhamento e Respostas das Instituições Envolvidas
A OAB e a Prefeitura de Vila Velha foram contatadas, mas não retornaram até o fechamento desta reportagem. A Comissão de Prerrogativas da OAB-ES enfatizou sua atuação no caso, com o objetivo de garantir que os direitos dos advogados sejam respeitados e que as práticas estejam em conformidade com o Estado Democrático de Direito. Como o processo tramita em sigilo, a OAB não pôde divulgar mais detalhes sobre as investigações.
A Prefeitura de Vila Velha, por sua vez, afirmou que a Corregedoria da Guarda Municipal está atenta ao desdobramento do caso e garantiu que a instituição colaborará com as autoridades no que for necessário para esclarecer os fatos.
