Avaliação da Política de Capacidade no LRCAP de 2026
O Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) de 2026, realizado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e operacionalizado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), alcançou um marco significativo ao garantir a contratação de 18,97 GW de capacidade instalada. Esse resultado se destaca como um dos principais movimentos recentes em prol da segurança energética no Brasil.
O leilão, que se desenrolou ao longo de cerca de seis horas, apresentou um deságio médio de 5,52%. Esse percentual representa uma economia estimada de R$ 33,64 bilhões para os consumidores, o que gera uma expectativa positiva em relação aos custos futuros da energia. No entanto, o resultado também suscita debates sobre a necessidade de um equilíbrio entre segurança energética, competitividade e custos a longo prazo.
A advogada Ana Karina de Souza, sócia do escritório Machado Meyer Advogados e especialista em infraestrutura e energia, enfatiza que o certame reflete o avanço na política energética brasileira focada na contratação de capacidade. “O grande destaque do LRCAP, eu diria, é o sucesso da política energética de contratação de capacidade. É crucial avaliar esse resultado dentro de um contexto sistêmico, onde a demanda por atributos de potência está em crescimento. Nesse sentido, consideramos o leilão um sucesso ao satisfazer essa necessidade, que é fundamental para a segurança do sistema elétrico”, pontuou.
Segundo Ana Karina, o volume contratado equivale a cerca de 10% da capacidade atual do sistema, o que reforça a importância do leilão para o planejamento energético nacional. “Este resultado representa uma resposta concreta às demandas estruturais do setor”, acrescentou a advogada.
A distribuição dos contratos foi significativa: aproximadamente 16,7 GW foram destinados a termelétricas, enquanto 2,3 GW foram alocados para ampliações de hidrelétricas. A predominância de projetos a gás natural no leilão evidencia o papel crescente das térmicas como solução imediata para atender à demanda por potência. “Este é um volume bastante relevante de contratação de reserva de capacidade. As térmicas foram as grandes vencedoras do leilão. A maioria é de investimentos novos, o que irá incentivar a movimentação da cadeia de indústrias e serviços”, destacou Ana Karina.
Um aspecto que chamou a atenção foi a redução do envolvimento das hidrelétricas no leilão. A especialista atribui isso à dinâmica do certame e à ordem de oferta dos produtos, que favoreceram a contratação de usinas termelétricas. “Os projetos hidrelétricos ficaram concentrados em horizontes mais longos, como 2030, enquanto, a curto prazo, houve uma competitividade maior entre empreendimentos a gás e diesel, resultando na predominância dessas fontes”, explicou.
No contexto regulatório, a advogada alerta para fatores que merecem atenção, como as discussões em andamento no TCU (Tribunal de Contas da União). “A reforma tributária será um ponto de atenção relevante, pois a sua implementação coincidirá com a transição dos contratos já existentes. A forma como isso ocorrerá poderá afetar diretamente a formação de preços e gerar impactos ao longo de todo o período de adaptação às novas regras”, avaliou Ana.
Em síntese, o LRCAP de 2026 não apenas representa um avanço na oferta de energia, mas também levanta importantes questões sobre a sustentabilidade e eficiência do setor elétrico brasileiro, que continua a ser monitorado por especialistas e reguladores.
