Expectativa de Justiça Após Longa Espera
Após mais de duas décadas de angústia e espera, o pai do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado em 2003, expressou sua expectativa para o julgamento que acontece nesta quinta-feira (12) no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, localizado em Vitória. “Esperei 23 anos por esse dia”, declarou o advogado aposentado Alexandre Martins de Castro. Ele se refere ao caso que ainda repercute na sociedade, uma vez que a versão dos fatos e o desfecho da tragédia envolvem um contexto jurídico complexo.
O assassinato de Alexandre Martins ocorreu em 24 de março de 2003, quando o juiz chegava a uma academia em Vila Velha. Hoje, a sessão judicial analisará os recursos relacionados à condenação de um magistrado aposentado, apontado como um dos mandantes do crime.
Uma Esperança de Condenação
Em uma entrevista concedida à TV Vitória/Record, Alexandre Martins de Castro falou sobre o sentimento da família após todos esses anos. Ele ressaltou a grande expectativa por uma condenação justa. “Se eu pudesse, teria chegado aqui às cinco horas da manhã. Espero que seja uma condenação severa, que seja pedagógica e que sirva de exemplo para a sociedade, mostrando que o Estado está preparado para punir aqueles que cometem crimes”, destacou o pai, enfatizando a importância de um veredito contundente.
Frustração com a Tramitação Judicial
O pai de Alexandre também comentou sobre a longa duração do processo, que se estendeu por anos com várias reviravoltas. Por ser juiz criminal, ele conhece bem as nuances e brechas da legislação, o que permitiu ao acusado utilizar todos os recursos possíveis e imagináveis. “Ele perdeu todos os recursos, mas ganhou tempo. O que não acabou com minha paciência”, desabafou.
Apesar da dor e da perda, Alexandre Martins de Castro afirmou que não nutre ódio pelo acusado de matar seu filho, embora tenha deixado claro que nunca perdoou Leopoldo. “Nunca perdoei, até porque, para perdoar, ele teria que me pedir perdão e explicar por que mandou matar meu filho. O que eu não tenho é ódio no coração, porque isso só definha a pessoa”, refletiu.
Julgamento e Decisões Jurídicas
Ao longo dos anos, o caso enfrentou diversas discussões jurídicas sobre a competência do julgamento, passando entre o Tribunal do Júri e a corte do Tribunal de Justiça. A decisão final veio do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que o julgamento deveria ser conduzido pela corte superior, devido ao foro por prerrogativa de função do acusado na época dos fatos.
Embora a expectativa de uma prisão imediata não seja alta, o advogado aposentado acredita que este julgamento é crucial para fechar um ciclo que já dura quase um quarto de século.
Recordando os Eventos
Alexandre Martins de Castro Filho foi brutalmente assassinado com três tiros em 24 de março de 2003, aos 32 anos, enquanto chegava à academia no bairro Itapoã, em Vila Velha. No total, dez pessoas foram acusadas pelo envolvimento no assassinato do juiz, sendo que apenas o juiz Leopoldo ainda não teve seu julgamento realizado. Ele nega as acusações contra si.
O caso de Leopoldo já foi adiado várias vezes devido à série de recursos interpostos nas instâncias superiores, mas finalmente, após mais de duas décadas, o julgamento ocorrerá nesta quinta (12). A polícia identificou Leopoldo como um dos responsáveis pelo crime em 2005, após seu depoimento, levando à sua prisão preventiva por mais de oito meses até que conseguiu um habeas corpus.
Além de Leopoldo, outras duas pessoas foram denunciadas como mandantes do assassinato de Alexandre, reiterando a complexidade e a seriedade do caso que ainda choca a sociedade.
