Um Carnaval de Revelações Políticas
No Sambódromo de Vitória, na noite de 6 de fevereiro, o ambiente festivo transcendeu a folia e trouxe à tona um dos sentimentos mais corrosivos na política: a ingratidão. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), que recentemente fazia parte do grupo do governador Renato Casagrande (PSB), apareceu ao lado do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), um adversário direto do campo governista.
Esse não foi um gesto despretensioso. Muito pelo contrário, se tratou de uma declaração pública, meticulosamente calculada.
Ruptura à Vista
Arnaldinho já vinha demonstrando sinais de distanciamento, mas o ato de se unir a Pazolini expôs de maneira clara uma divisão que muitos tentavam desconsiderar como mera especulação. Casagrande investiu em projetos estruturantes em Vila Velha, proporcionando visibilidade política a Arnaldinho e consolidando alianças que impulsionaram sua gestão. Apesar desse histórico de apoio, o prefeito decidiu se afastar do grupo que o lançou ao cenário político.
Na política, as escolhas têm um peso maior que discursos; assim, essa decisão reverberou negativamente e continuará a causar repercussões.
A Aliança Surpreendente
Ao unir-se a Pazolini, Arnaldinho não apenas se aproximou de um rival temporário; de fato, ambos orbitam em torno da mesma esfera política, a do ex-governador Paulo Hartung (PSD). Hartung é um estrategista habilidoso, conhecido por atrair lideranças emergentes e operar nos bastidores com o intuito de eliminar concorrentes internos, especialmente Ricardo Ferraço (MDB), que desponta como uma figura forte nas próximas eleições para o Governo do Estado.
Esses movimentos não são novidade; o método utilizado é antigo e o discurso se reveste de familiaridade.
Custo da Mudança
A política tem seu preço, e Arnaldinho, ao trocar a aliança com Casagrande pela de Hartung, irá enfrentar um custo alto. Não apenas pela traição em si, mas pelo simbolismo que o ato carrega. A ingratidão não é um alicerce sólido para construir uma carreira política duradoura e fragiliza a confiança entre aliados, sejam eles atuais ou futuros.
A busca de Arnaldinho por uma candidatura ao governo, ainda sem uma base sólida e apoio genuíno, sugere mais vaidade do que uma estratégia bem fundamentada. Em um cenário político desafiador, atitudes assim são comuns entre aqueles que ainda não têm a maturidade necessária para dialogar com os grandes nomes da política. E, como a história frequentemente demonstra, a vaidade pode acarretar a perda de mandatos.
A Força de Ferraço
Enquanto isso, Ricardo Ferraço mantém sua trajetória de fortalecimento de apoios na Grande Vitória. Atualmente, ele conta com o apoio do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), do ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e dos prefeitos da Serra, Weverson Meireles (PDT), e de Viana, Wanderson Borghardt Bueno (Podemos). Isso demonstra uma base política robusta, possuindo capilaridade e lastro eleitoral.
Dessa forma, o grupo de Casagrande mostra-se significativamente mais forte nas regiões central, norte e sul do estado. Assim, a ingratidão não soma; ao contrário, dispersa.
Alianças e Velhas Práticas
Em contraste com as alianças que se formam por meio de gestos ensaiados e fotos cuidadosamente planejadas, o que se observa em Pazolini e Arnaldinho é uma juventude política que, surpreendentemente, se deixa guiar por uma figura já familiar na política capixaba: Paulo Hartung. Sua volta como articulador remete a um roteiro antigo, repleto de dissimulações e controle, refletindo práticas que deveriam ter ficado no passado.
