Como a Credibilidade do Líder Influencia Decisões de Investimento
A imagem do gestor público se revela um ativo econômico indireto, desempenhando um papel crucial na construção de credibilidade. Embora não gere PIB por si só, a credibilidade facilita decisões mais rápidas e seguras. Em cenários de investimento, a presença do líder se torna um atalho cognitivo — uma forma simplificada de avaliação de riscos. Antes de mergulhar em números, relatórios ou contratos, os investidores formam uma impressão sobre quem está à frente do processo. Quando há confiança no gestor, essa segurança se estende ao ambiente em que ele atua.
No Espírito Santo, a construção de uma imagem associada à previsibilidade, equilíbrio fiscal e organização administrativa ocorre não apenas por meio de dados técnicos, mas também pela percepção pública dos gestores. Um exemplo claro disso é o governador Renato Casagrande, cuja comunicação transmite estabilidade e uma narrativa coerente. Sua postura consistente, sem sobressaltos ou mudanças bruscas de discurso, gera a impressão de previsibilidade técnica, essencial para a atração de investidores.
A reputação pessoal do gestor se transforma em uma extensão da reputação institucional. Gestores que são vistos como organizados, técnicos e moderados criam uma expectativa de boa gestão, mesmo antes de qualquer análise detalhada das políticas públicas implementadas. Esse fenômeno é conhecido na psicologia social como efeito halo: uma característica positiva influencia a percepção geral. Assim, se um líder aparenta ser sério, assume-se que sua gestão será igualmente séria; se, por outro lado, mostra desorganização, essa imagem negativa tende a se proliferar.
Na prática, isso significa que a reputação pessoal do gestor diminui a necessidade de convencimento. Quando um gestor entra em cena, parte da credibilidade já está embutida em sua imagem. A confiança pública é gerada pela combinação de diversos fatores, como cargo, histórico, comportamento e a marca política que se constrói ao longo do tempo. Ser competente é um requisito indispensável, mas não é suficiente na vida pública; é necessário desenvolver uma narrativa coerente e consistente.
Uma marca política estável comunica previsibilidade, e uma narrativa bem alinhada ao longo do tempo gera confiança entre os stakeholders. Não adianta dispor de dados técnicos relevantes se a comunicação é caótica ou se a narrativa muda frequentemente. Estados que entendem a importância desse mecanismo abandonam a ideia de que a imagem do gestor é um mero detalhe e, em vez disso, investem em estratégias bem elaboradas para reforçar essa imagem no âmbito público. A imagem do gestor, quando bem trabalhada, não substitui políticas públicas, mas acelera a aceitação dessas políticas. Em um ambiente competitivo, especialmente para a atração de investimentos, a velocidade da aceitação é um aspecto fundamental.
