Carnaval capixaba marca aproximação política entre prefeitos de Vitória e Vila Velha
O Carnaval, conhecido por ser um momento de alegria e celebração cultural, também se torna um palco para a política, especialmente em um ano eleitoral como 2024. O desfile inaugural das escolas de samba no Sambão do Povo em Vitória trouxe à tona um momento político significativo que será lembrado por muito tempo. O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), fez sua entrada na avenida ao lado do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), em um gesto que pode indicar uma nova aliança política.
Durante a cerimônia de entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo, Pazolini e Arnaldinho estavam inseparáveis. De mãos dadas, elevaram os braços e entoaram um vibrante “Viva o Espírito Santo!”, a poucos metros do governador Renato Casagrande (PSB) e do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Este gesto não passou despercebido e deixou claro que a relação entre os dois prefeitos pode estar mudando.
Para aqueles que não estão familiarizados com a política capixaba, é importante ressaltar que Pazolini e Arnaldinho são pré-candidatos ao governo do Espírito Santo nas eleições de outubro. O que diferencia os dois é a postura em relação ao atual governo. Enquanto Pazolini sempre foi crítico da administração de Casagrande, Arnaldinho se destacou como um de seus principais aliados, recebendo apoio do governador para sua gestão em Vila Velha.
A relação de Arnaldinho com Casagrande parecia forte, mas isso foi posto à prova com a recente aproximação ao prefeito de Vitória. Arnaldinho, que almejava ser o candidato apoiado por Casagrande, viu suas esperanças murcharem quando o governador anunciou Ricardo Ferraço como seu candidato preferido à sucessão. Esse novo cenário fez com que Arnaldinho buscasse uma parceria com Pazolini.
Pazolini, por sua vez, confirmou que estão iniciando um diálogo. “Estamos começando um diálogo”, afirmou, embora tenha sido cauteloso ao sugerir que isso poderia se traduzir em uma aliança eleitoral. As interações entre os dois foram amplamente divulgadas durante os 15 minutos que passaram juntos, com o público acompanhando por meio da transmissão ao vivo da TV Sim e nas redes sociais. Não é à toa que os dois já realizaram colaborações no Instagram.
Com as esposas ao lado, Pazolini e Arnaldinho mostraram um entrosamento que atraiu a atenção de todos. Enquanto posavam para fotos, o governador Casagrande parecia desconfortável, tentando esconder seu descontentamento diante da nova dinâmica política que surgia.
Arnaldinho, ao ser questionado sobre o evento, declarou: “Carnaval é dia de alegria, confraternização, paz, união… E é isso que está acontecendo aqui”.
Discurso de Pazolini: um alerta sutil ao governo
A imagem de Pazolini e Arnaldinho juntos na avenida se tornou emblemática, mas as declarações de Pazolini durante o discurso inaugural tiveram um peso ainda maior. Ele foi o último a falar antes de entregar a chave simbólica ao Rei Momo, e sua fala não foi meramente cerimonial.
Posicionado entre Arnaldinho e Casagrande, Pazolini teceu elogios a Arnaldinho, agradecendo publicamente por sua presença e convidando-o para participar da assinatura da ordem de serviço para a construção da Cidade do Samba. “Esse é um trabalho extraordinário que nós vamos fazer, Arnaldinho, unindo o nosso povo”, disse, em referência à importância da colaboração entre as cidades e à superação das divisões.
O discurso, que tinha claramente um tom eleitoral, foi embasado em uma série de referências que faziam alusão ao seu desejo de concorrer ao governo. Pazolini não hesitou em mencionar o canal da TV Sim, que, por coincidência, é o mesmo número do seu partido, o Republicanos, sugerindo que ele está se preparando para uma possível candidatura.
Os últimos momentos de sua fala, embora não falassem diretamente, traçaram uma linha entre o passado e o futuro. Ele insinuou que figuras como Casagrande e Ferraço representam a “velha guarda” da política capixaba. “Não dá pra querer o diferente escolhendo o igual. Seria ignorância ou falta de inteligência?”, provocou o prefeito de Vitória, que se mostrou decidido a reescrever a história política do Estado.
Reações da velha guarda
Após o evento, o governador Casagrande minimizou a situação, classificando a chegada de Arnaldinho ao lado de Pazolini como um fato “normal”. “Não sei se isso indica alguma aproximação política”, comentou, mantendo uma postura neutra sobre as intenções do prefeito de Vila Velha. Ricardo Ferraço também adotou um tom tranquilo ao dizer que o clima de Carnaval propicia um ambiente de harmonia e entrosamento.
O que se vê, portanto, é um cenário político em transformação, com os dois prefeitos sinalizando um possível alinhamento. O desenrolar dessa nova dinâmica entre Pazolini e Arnaldinho poderá moldar o futuro eleitoral do Espírito Santo.
