Instituição Financeira Sinaliza Mudanças
No dia 3 de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil divulgou a ata de sua última reunião, na qual decidiu manter a taxa de juros em 15% ao ano. Contudo, o órgão indicou que a redução da Selic deve ocorrer na próxima reunião, programada para março.
O Banco Central destacou que a magnitude do corte será determinada com base nas próximas informações sobre inflação, taxas de emprego e desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, é fundamental ressaltar que a manutenção da taxa elevada ainda é necessária para promover a desinflação de forma consistente.
Em entrevista ao CNN Money, a economista Marcela Kawauti alertou para cenários que podem dificultar a redução dos juros. Ela destacou o risco de uma deterioração nas contas públicas, que pode influenciar diretamente o cenário econômico. “Os riscos estão atrelados à volatilidade do câmbio. Se houver oscilações significativas, podemos ter um aumento na inflação. A questão fiscal é uma preocupação estrutural que ouvimos há um bom tempo”, afirmou a especialista.
O próprio Banco Central reconheceu que as incertezas ligadas à situação fiscal podem elevar a taxa de juros neutra, um indicador chave para a formulação da política monetária. Infelizmente, não há sinais de melhora nesse aspecto.
Despesas Públicas e a Percepção da População
Recentemente, a situação se agravou com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, de reajustes para servidores do Congresso, que poderiam resultar em remunerações superiores ao teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46 mil. Essa medida surge em um contexto onde a percepção da população sobre a saúde das contas públicas é amplamente negativa.
Segundo uma pesquisa realizada pelo movimento Orçamento Bem Gasto, 55% dos brasileiros acreditam que o país gasta muito mais do que sua capacidade financeira permite. Outros 20% afirmam que o governo federal gasta um pouco além de suas possibilidades, enquanto apenas 8% consideram que as despesas estão dentro do que é viável.
Em relação ao estado das contas públicas, os dados revelam preocupações: 29% dos entrevistados avaliam que a situação é péssima, 20% a classificam como ruim, 23% veem como regular, e apenas 5% a consideram ótima. Este cenário de desconfiança reforça a necessidade de uma política fiscal mais sólida e transparente.
