O Setor de Ovos no Espírito Santo em Ascensão
O Espírito Santo viu sua produção de ovos crescer de forma significativa nos últimos anos, atingindo a marca de 5,26 bilhões de unidades em 2025. O valor bruto da produção (VBP) estimado para o setor é de R$ 2,75 bilhões, com um plantel médio de 21,24 milhões de galinhas poedeiras e cerca de 7 milhões de codornas, conforme levantamento da Associação dos Avicultores do Espírito Santo (Aves).
Após um período desafiador, em que a produção enfrentou uma queda acentuada devido ao aumento nos custos dos grãos, o setor demonstra sinais de recuperação. Em 2020, o Espírito Santo produziu aproximadamente 5,6 bilhões de ovos, mas os altos preços dos insumos levaram a uma retração de 22% até 2022. Em 2023, a produção caiu para 4,5 bilhões, mas em 2024, houve um crescimento de 15%, alcançando 5,2 bilhões de ovos.
Um Olhar Cauteloso para o Futuro
De acordo com Nélio Hand, diretor-executivo da Aves, o setor avícola capixaba está adotando uma postura mais conservadora, influenciada por experiências passadas e os custos elevados que afetaram a produção. “A produção nacional atualmente está mais alinhada ao potencial de consumo, e as dificuldades nas exportações para os Estados Unidos, devido ao tarifaço, também pesaram na decisão de adotar uma abordagem cautelosa”, explica Hand.
A maior parte da produção capixaba de ovos é direcionada ao mercado interno, com o Rio de Janeiro absorvendo 36% do total. Bahia e Minas Gerais seguem na lista, representando 19% e 10%, respectivamente. Com 28% do consumo interno e 1,5% das vendas externas, o Espírito Santo também fornece 5,5% de sua produção para outros estados.
Um dado interessante é que o município de Santa Maria de Jetibá é responsável por 91,30% da produção estadual, consolidando-se como o maior produtor de ovos do Brasil, de acordo com o IBGE.
Impacto da Avicultura na Economia Capixaba
O Espírito Santo ocupa a terceira posição no ranking nacional de produção de ovos, e a avicultura é um dos pilares do agronegócio no estado, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. “Esse setor é responsável por cerca de 20 mil empregos e impacta mais de 100 mil famílias. Em 2024, a avicultura, incluindo o frango de corte, representou 10,6% do valor bruto da produção agropecuária do Espírito Santo”, destaca Hand.
A ABPA projeta uma nova expansão para 2026, com uma produção estimada em 66,5 bilhões de ovos, o que representa um aumento de 6,8% em relação a 2025. No Espírito Santo, a expectativa é manter um mercado ajustado, seguindo uma postura conservadora.
“O setor busca recuperar volumes perdidos, especialmente após as dificuldades enfrentadas nas exportações para os EUA. No que se refere ao frango, o foco está em expandir mercados já existentes e, ao mesmo tempo, mitigar os desafios que a competitividade impõe em relação a outros estados produtores”, afirma Hand.
Exportações em Destaque em 2025
O ano de 2025 foi marcante para as exportações de ovos do Espírito Santo, que alcançaram a cifra de US$ 8,4 milhões, posicionando o produto entre os dez principais itens do agronegócio capixaba. O valor exportado cresceu 1.275% em comparação a 2024, passando de US$ 608 mil para US$ 8,4 milhões. O volume embarcado também teve um crescimento significativo, de 761,5%, saltando de 474.956 para 4.091.558 unidades.
Os ovos do Espírito Santo foram enviados a 27 países, com destaque para os Estados Unidos, que absorveram 98,6% do valor exportado, com 4.047.876 unidades e US$ 8,25 milhões. Outros destinos incluem as Ilhas Marshall (0,30%) e a Libéria (0,20%).
“O EUA foi o principal motor desse volume de exportação, mas o tarifaço gerou frustrações. Na época, já tínhamos cinco produtores no mercado internacional e outros dois se preparando para embarcar. O setor conseguiu exportar quase 3% da sua produção”, explica Hand. “Agora, estamos buscando novos mercados na América do Sul, Oriente Médio e Europa como alternativas para as exportações”.
A Aves está trabalhando para aumentar a competitividade do setor, buscando habilitar o Espírito Santo junto à União Europeia para o fornecimento de ovos, visando aproveitar a demanda internacional que cresce, especialmente em face da crise sanitária nos EUA provocada pela gripe aviária. A escassez de oferta no mercado americano impulsionou a importação de ovos do Brasil, sendo que, a partir de fevereiro, os EUA passaram a encomendar ovos brasileiros não apenas para uso industrial, mas também para consumo direto.
Esse cenário destaca a confiança na sanidade dos produtos brasileiros, além da agilidade logística e da diversificação de mercados, consolidando o Brasil como um fornecedor estratégico diante da escassez global de oferta.
