Um futuro sustentável para o Espírito Santo
O Espírito Santo se destaca em sua trajetória rumo à sustentabilidade, alicerçado no plano de desenvolvimento de longo prazo conhecido como ES 500 anos. O governo do estado delineou ações que visam não apenas a descarbonização, mas a construção de uma resiliência climática robusta. Até 2030, a meta é reduzir em 27% as emissões de gases de efeito estufa (GEE), com um objetivo ainda mais audacioso de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Para viabilizar essa transição, foi criado um Fundo de Descarbonização que já conta com quase 1 bilhão de reais disponíveis. Desse total, 500 milhões provêm do Fundo Soberano e 400 milhões da iniciativa privada. De acordo com as estimativas do governo, esse investimento já corresponde a aproximadamente 20% do que será necessário para cumprir a meta de 2030.
Esse fundo, que adota um modelo público-privado, está aberto para aportes tanto de recursos públicos quanto privados. Isso significa que empresas, instituições financeiras e organizações multilaterais podem se tornar cotistas, ampliando as possibilidades de investimento. A gestão do fundo fica por conta da BTG Pactual Asset Management, que venceu uma concorrência pública para administrar os recursos.
Oportunidades para o Agronegócio Capixaba
Um dos objetivos deste fundo é proporcionar que empresas de diversos setores da economia possam acessar recursos para reduzir suas emissões de carbono. Além disso, haverá incentivos para a produção de energia a partir de fontes renováveis e adequações no uso de energias menos poluentes em relação às emissões de GEE.
Considerando o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, surgem oportunidades para que o agronegócio capixaba se adeque às novas exigências ambientais. O setor, que já representa uma parte significativa da economia local, pode se beneficiar de iniciativas sustentáveis que atendam a essas demandas.
A estratégia conhecida como inovabilidade — que integra inovação e sustentabilidade — é uma diretriz importante contida no PEDEAG 4, o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba. Com os recursos do fundo, será possível acelerar a adoção de práticas como a agricultura regenerativa, uso de bioinsumos e tecnologias que promovam manejos mais sustentáveis.
Um Agro Sustentável em Nível Global
Imagine um agronegócio capixaba atuando como uma plataforma de “greenshoring”, fornecendo produtos sustentáveis tanto para o mercado interno quanto para a Europa. Este continente representa um mercado significativo para o Espírito Santo, que, em termos de exportações, responde por 13,5% do total, sendo 43% desse percentual proveniente do agronegócio. Os produtos em destaque incluem café, mamão, gengibre e, em menor escala, pimenta do reino.
É importante salientar que, com a implementação do Funses e, especificamente, do fundo de descarbonização, o Espírito Santo está fazendo uma transição de um modelo de incentivos predominantemente fiscal, com uma história de quase 50 anos baseado no ICMS, para uma abordagem mais diversificada e moderna. Essa nova plataforma será creditícia, financeira e de equity, oferecendo uma flexibilidade maior aos investidores.
Essa transformação não apenas moderniza a economia do estado, mas também a coloca no caminho da sustentabilidade, mostrando um compromisso real com práticas que beneficiam o meio ambiente e a sociedade. O futuro sustentável do Espírito Santo, portanto, não é apenas uma promessa, mas uma realidade em construção.
